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Sexto Domingo da Páscoa

Estamos nos encaminhando para o final do tempo pascal, e a liturgia deste domingo nos encaminha para duas grandes festas: a Ascensão de Jesus no próximo domingo e o envio do Espírito Santo no Pentecostes, no domingo seguinte.  Vemos nisso a perfeição com que Jesus preparou toda a trajetória do mistério pascal. Acompanhamos todos os dias a leitura dos Atos dos Apóstolos, traçando todo o perfil da igreja nascente, desde o testemunho da união entre os fiéis, o espirito de partilha, a unidade na fé e na oração, mas também os inevitáveis conflitos próprios de uma comunidade humana.

Aproximando-se o momento da sua volta para o Pai, na ascensão, Jesus ensina que vai nos preparar um lugar e que quando estiver pronto, retornará. No Evangelho deste domingo Ele dá uma forte palavra de consolo seus discípulos: “não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós” (Jo. 14,18). Mas antes, Ele pede fidelidade ao seu ensinamento, como prova de amor: “se me amais, guardareis os meus mandamentos”. Jesus não diz: conhecereis os meus mandamentos. Guardar, significa praticar. Quando na parábola do jovem rico, este perguntava a Jesus o que é necessário pata ter a vida eterna, Jesus primeiro pergunta se ele conhece os mandamentos. “Vendo que respondeu bem” lhe diz: vai, vende tudo o que tens, dá aos pobres e me segue. Ou seja: põe em prática, o que conheces.  E como consequência “rogarei ao Pai e ele vos dará um outro Defensor” (Jo. 14,16). O Espírito Santo prometido, virá solidificar todo o seu ensinamento e confirmar toda a verdade.

O Espírito Santo, o outro paráclito, “abre a mente dos discípulos para enxergar a verdade que o mundo não pode suportar”, pois esse prefere a mentira, ou seja, o meio mais eficaz para aprisionar as pessoas, explorando-as ao máximo, conservando-as desconhecedoras da verdade, para se tornarem objeto fácil de sua manipulação. A ausência do espírito da verdade, torna o homem escravo da mentira, tornando o ser humano um animal movido por instintos, egoísta e avarento. O Espírito Santo “arguirá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do julgamento” (Jo. 16,8). A volta de Jesus ao Pai, não é uma fuga do mundo, mas a expressão do cumprimento da sua missão, que é sucedida pela missão do Espírito Santo, de confirmar todo o seu ensinamento.

Por:
Padre José Maria
Coordenador de Pastoral