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Um pró-memória sobre os bens materiais – Artigo 01/08/2016

Um pró-memória sobre os bens materiais 

EonildoQuem acompanha diariamente o noticiário com uma atenção global, já deve ter percebido que os indicadores econômicos têm uma relevância gigantesca sobre a vida das pessoas e da sociedade.

Temos tido alguns sinais, ainda muito débeis, de uma retomada do crescimento no norte do mundo, mas isso longe de nos deixar tranquilos, nos deve preocupar. Como estar serenos com esta enorme cifra de desempregados, especialmente os jovens e o crescente numero dos que vivem em estado de pobreza?

Confiando muito que a situação venha mesmo a melhorar, e considerando que muito ou pouco, todos possuímos alguma coisa, vale muito a pena refletir sobre as leituras de hoje, em relação ao valor que se deve atribuir aos bens materiais.

Quem trabalha com sabedoria, com ciência e sucesso, deverá no fim deixar sua parte para um outro que em nada fatigou? Isso é vaidade e um grande mal” disse o sábio da primeira leitura. E o Evangelho exemplifica. “um da multidão disse a Jesus: “manda que o meu irmão divida comigo a herança”.

Podem passar os anos e até os milênios, o mundo muda, mas certas coisas não mudam nunca. Quantas vezes acontece ainda hoje que os irmãos de sangue, que os moradores da mesma cidade, ou mesmo os cidadãos do mundo se matem pelos bens materiais!Um homem consome todas as suas forças para acumular bens e deixar para os filhos, na realidade deixa-lhes a semente da discórdia, batalhas judiciais terríveis, rancores que se arrastam por anos e que às vezes não acabam nunca.

No caso em analise, Jesus se recusa a intervir. Não por indiferença para com as pessoas envolvidas, mas para provocar as pessoas que o escutam a ampliar seus horizontes, aproveitando desse exemplo corriqueiro em ocasião para ensinar sobre a riqueza: “Atenção! Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens”.

Desejar os bens necessários para uma vida segura e digna, um futuro sereno para si e para a família, é legítimo. Outra coisa é considerar os bens materiais como “o bem supremo” para o qual tudo se orienta, colocar como único objetivo da vida acumular o quanto for possível, quem sabe até sem discernir sobre os meios, se são lícitos ou não, às vezes espezinhando a justiça, a verdade, a caridade, os afetos familiares. A ânsia das riquezas é uma fera que a todos devora, incluindo a própria pessoa, quando se deixa por ela dominar.

Nunca esqueçamos que a verdadeira riqueza não é aquela que deixamos aqui, mas aquela que poderemos levar conosco: é bem feito ao próximo, é a fé que se tem em Jesus e se passa aos outros, é a esperança semeada e cultivada a cada dia nos corações das pessoas e desse mundo tão rico de bens e tão pobre de BEM.

Pe. Antonio Eronildo de Oliveira

Vigário Geral Diocese de Quixadá