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Por que fazemos o sinal-da-cruz no início das celebrações? – Artigo 22/05/2016

trindadePor que fazemos o sinal-da-cruz no início das celebrações? 

O sinal-da-cruz no início da Liturgia é (como tantas outras) também uma ação ritual litúrgica e, por isso mesmo, carregada de profundo sentido humano, teológico e espiritual.

Antes de tudo é preciso ver essa ação litúrgica como uma ação integrada no contexto dos ritos iniciais da celebração, que têm sua finalidade bem precisa, indicada no n. 46 da Instrução Geral sobre o Missal Romano, a saber: “fazer com que os fiéis, reunindo-se em assembleia, constituam uma comunhão e se disponham para ouvir atentamente a palavra de Deus e celebrar dignamente a Eucaristia”.

Como se vê, a finalidade dos ritos iniciais é, em outras palavras, fazer com que os fiéis, sentindo-se assembleia litúrgica, façam a experiência de estarem em comunhão de fé e amor (entre si e, juntos, com Deus, Trindade santa) e, assim, se sintam bem dispostos a ouvir “atentamente” a Palavra e a celebrar “dignamente” a Eucaristia.

E o sinal-da-cruz, neste contexto? É a primeira ação litúrgica, pela qual (digamos assim) se “abre a sessão”, ou então, se constitui “oficialmente” a assembleia. É como se a pessoa que preside dissesse assim: “Em nome da Trindade santa (Pai, e Filho e Espírito Santo) declaro (declaramos) constituída esta assembleia litúrgica”. E toda a assembleia expressa o seu assentimento, dizendo: “Amém” (assim seja, aprovado!). Assim, junto com a saudação presidencial subsequente e a resposta do povo, se expressa (como diz a Instrução geral) “o mistério da Igreja reunida” (n. 50). No fundo, o que se quer dizer é isso: “A partir desse instante, está constituída a assembleia litúrgica: Quem nos reúne em comunhão de fé e amor para ouvir a Palavra e celebrar a Eucaristia é o Deus comunhão (Pai, Filho e Espírito Santo), e mais ninguém. Neste Deus comunhão (por pura graça d’Ele) todos nós estamos em comunhão, formando um só corpo místico para celebrar a divina Liturgia, na qual somos ‘tocados’ pelo seu amor misericordioso em todos os âmbitos do nosso ser”.

Por isso, proclamando que quem nos reúne é a Trindade santa, nós tocamos o nosso corpo em forma de cruz. Esse “toque” tem um sentido simbólico e espiritual profundo. Por ele, no fundo, testemunhamos que, pelo mistério pascal (cruz e ressurreição) fomos (e somos!) “tocados” pelo amor da Trindade.

Portanto, fica claro que o sinal-da-cruz no início da Liturgia não tem nada a ver com “invocação” à Santíssima Trindade, como muitos pensam. Não tem sentido chamar esta ação litúrgica de “invocação” à Trindade. Pois é Ela que, por gratuita iniciativa sua já nos reúne em assembleia para, em comunhão de fé e amor, ouvirmos “atentamente” a Palavra e celebrarmos “dignamente” a Eucaristia… Simplesmente celebramos o fato de ser Ela que nos reúne para sermos “tocados” pela presença viva do Senhor, na Palavra e no Sacramento.

Pe. Antonio Eronildo de Oliveira

Vigário Geral Diocese de Quixadá